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Linhas de Pesquisa

Linhas de Pesquisa (2017-2022)

 

Dando continuidade ao projeto do CEstA, elaborado pela equipe de fundadores em 2011, propomos nos concentrar no próximo periodo (2017-2022) em torno de três feixes de problemáticas. Segue um breve resumo dessas linhas de pesquisa, ressaltando porém que não se tratam de linhas estanques, uma vez a proposta geral do CEstA é a de ser um espaço onde se constrói a articulação interdisciplinar das diversas problemáticas, sintetizadas abaixo:

 

a) Histórias Ameríndias. Este feixe de questões centra-se na discussão de modos de articulação de diversas formas de expressão e registro empregadas por ou sobre as culturas ameríndias, e no modo como são concebidas e incorporadas à reflexão nas diferentes linhas disciplinares. Incluem-se entre essas fontes: 1) narrativas ameríndias: orais (narrativas, cantos etc.) e escritas (códices mesoamericanos tanto quanto coletâneas de mitos e, mais recentemente, obras de autoria indígena); 2) fontes históricas: arquivos, narrativas de viajantes, administradores, missionários, etc.; 3) cultura material e immaterial: incluindo iconografia, grafismos; 4) registros arqueológicos e 5) registros etnográficos: acumulados por pesquisas de campo de longa duração. Trata-se de avançar na reflexão da equipe, passando do debate antes centrado na diversidade das fontes, para a seleção de temas pertinentes aos povos nativos da América, na sincronia e na diacronia.


Como exemplo de trabalho proposto nessa linha de pesquisa, destacamos o estudo, organização e divulgação do acervo de fontes históricas indígenas e de literatura histórica, antropológica e arqueológica do Centro de Estudos Mesoamericanos e Andinos – CEMA/USP, que possui um considerável acervo digital de fontes históricas indígenas (códices pictoglíficos mesoamericanos, narrativas ameríndias dos Andes Centrais e Mesoamérica, narrativas sobre os povos indígenas) e de textos históricos, antropológicos e arqueológicos sobre os povos ameríndios da Mesoamérica e dos Andes Centrais. Destacamos ainda o relevante acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia – MAE/USP, fonte inesgotável para os estudos ameríndios.


Ressaltamos também os desdobramentos dos estudos etnográficos do xamanismo e da cosmologia de povos amazônicos, como também o estudo e tradução das artes verbais ameríndias. Investimento este que se justifica por conta da ausência de uma conexão mais aprofundada entre os estudos literários e a etnologia, que tem bloqueado o acesso da cultura letrada aos estudos realizados por etnógrafos e impedido uma reavaliação de pressupostos da crítica literária brasileira sobre poéticas ameríndias.

 

b) Estruturas Ameríndias. Este segundo feixe de questões parte da recusa em apartar modos de pensamento e modos de ação, atentando para o fato de que todo evento é uma atualização de uma estrutura, no sentido de esquemas conceituais preestabelecidos. Dentre os temas convergentes que já foram trabalhados e serão aprofundados pela equipe do CEstA, mencionamos as redes de intercâmbio (de bens, pessoas e signos) e as formas de organização sociopolítica, em diferentes tempos e espaços. Como exemplo de desenvolvimento desse feixe de questões, ressaltamos a pesquisa realizada em parceria entre o antropólogos e matemáticos que se voltam para análise de sistemas dinâmicos, com aplicações inovadoras no estudo de sistemas de parentesco. Os estudos de parentesco até hoje esperam um tratamento unificado, isto é, uma abordagem que permita reunir, em um mesmo plano analítico, objetos ecléticos, como categorias semânticas, normas matrimoniais e genealogias empíricas, sem pressupor determinação entre eles. A modelagem computacional do parentesco, como sistema dinâmico, corresponde a um passo fundamental na formulação de um tratamento unificado.

 

c) Questões ameríndias contemporâneas. Um amplo conjunto de temáticas trabalhadas pela equipe do CEstA no feixe antes denominado "Saberes Ameríndios". Aqui se trata de abordar os modos pelos quais os povos ameríndios experimentam as diversas situações postas pelo mundo moderno – caracterizado pela economia de mercado capitalista, pelo crescimento de centros urbanos cosmopolitas, pelos corolários político- epistemológicos da revolução científica do século XVII, e pela expansão do modelo de política representativa e democrática. Daremos continuidade a pesquisas sobre práticas de conhecimento e suas transformações, bem como aos regimes ameríndios de relação aos ambientes e os modos de existência. Cabe ainda ressaltar nosso interesse no estudo experiências indígenas em centros urbanos, bem como a investigação aprofundada das múltiplas experiências de relação com Estados nacionais, ONGs e demais agentes de políticas públicas nos diversos níveis, local, nacional e internacional.


Diante dos impasses do mundo contemporâneo colocados pela mudanças climáticas e das preocupações com a segurança alimentar, um exemplo a ser destacado nesta linha, são as pesquisas que se voltam para as condições de produção e circulação de conhecimentos indígenas de manejo do solo, das sementes assim como biotecnologias de cultivo das florestas, dos lagos e rios, envolvolvendo professores e corpo discente das áreas de etnologia, ecologia história, história social e antropologia urbana. Pesquisas arqueologias evidenciam processos muito antigos – e ainda atuais – de manejo dos solos de regiões na Amazônia que são o berço de muitas espécies de plantas que posteriormente se espalharam pelo continente sul-americano. Já a etnologia e a ecologia história tem associado a este cenário de abundancia, modos de existência ameríndios que operam por meio da cooperação interespécies, como animais, plantas, microorganismos, nos quais participam também fenômenos naturais e elementos do relevo.

 

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