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Minicurso: O surgimento dos primeiros Estados na América pré-colombiana

3, 5, 7 e 10 de junho, no Departamento de História.

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Jornadas de Antropologia da Unicamp 2013

Inscrições de trabalhos até 15 de junho.

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Associação Ruta Inka convoca expedição acadêmica pela América Latina

Inscrições até 15 de maio.

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Seminário Momentos e Lugares da História e da Educação Indígena

De 14 e 16 de maio, na PUC-SP.

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Seminário Permanente História e Arqueologia da Mesoamérica e Andes, com Denise Cavalcanti Gomes

14/5, às 17h30, no CEMA.

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Lançamento do Livro "Quando a Terra deixou de Falar", de Pedro Cesarino

Terça-feira, 7 de maio, a partir das 19h30.

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Congresso Internacional "Pueblos indígenas de América Latina, siglos XIX-XXI"

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Inscrições de trabalhos até 30 de junho.

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V Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia

Inscrições para submissão de trabalhos até 22 de abril.

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37º Encontro Anual da ANPOCS

O prazo final para submissão de trabalhos foi prorrogado até 02 de maio.

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COMENDO COMO GENTE práticas de conhecimento indígenas sobre alimentação e comensalidade

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ENCONTRO DE ANTROPOLOGIA E EDUCAÇÃO

Faculdade de Educação|FAE – Faculdade de Ciências Humanas|FAFICH

UFMG | BELO HORIZONTE | 24-25-26 de Junho de 2015

Nos mundos indígenas ameríndios, a comida (entendida na dimensão mais ampla da comensalidade) detém um amplo papel simbólico e transformativo, atuando na vida cotidiana e ritual, para mediar as relações entre seres e mundos diferentes: entre homens e mulheres, entre crianças e adultos, entre humanos e espíritos, entre mundo dos vivos e mundo dos mortos, garantindo o equilíbrio da vida social. A nutrição do corpo, seu crescimento e treinamento, a experiência de saúde/doença, a morte e o nascimento, não são processos meramente fisiológicos ("neutros") mas envolvem as práticas alimentares em seus mais amplos sentidos, as quais se constituem ativamente nas relações entre os diferentes seres e planos cosmológicos.

Uma discussão sobre as práticas alimentares a partir dos mundos indígenas onde são produzidas e significadas, baseia-se na convicção de que a comida – situando-se na intersecção entre processos biológicos, socioculturais, sobrenaturais, ecológicos, econômicos e políticos, de pequena e grande escala – constitua um eixo central para avançar numa reflexão crítica sobre esses processos.

A partir da perspectiva ameríndia do "corpo" e dos processos de "fabricação da pessoa" (Seeger, Da Matta, Viveiros de Castro, 1979) entende-se enquadrar as técnicas alimentares enquanto práticas de conhecimento que interagem na produção do corpo e das relações sociais. Neste sentido o macro-tema da "alimentação/comensalidade" emerge como um campo de investigação etnográfica capaz de articular leituras mais complexas sobre as dimensões do ritual e do cotidiano nos diferentes contextos indígenas; investigando aspectos da cosmologia assim como da produção da vida cotidiana e envolvendo assuntos diversos como: comensalidade, significados simbólicos, mitologia, gestão do território, manutenção da vida individual e coletiva, processos de formação da pessoa.

Estas reflexões que privilegiam a dimensão etnográfica da comensalidade se inserem em um debate mais amplo sobre as recentes mudanças que caracterizam os sistemas alimentares tradicionais. Um tempo diversificadas e garantidas pelo território rico em mata nativa e água, as comidas locais tem sido progressivamente "monotonizados" à medida em que o ambiente foi explorado, e o principal meio de acesso aos alimentos tem sido a compra externa, determinando importantes mudanças na dieta das populações (monótona e nutricionalmente mais pobre, caracterizada pelo aumento de carboidratos/açúcar simples e gorduras, paralelamente à diminuição de proteínas, carne/peixe, e legumes). Ainda, a crescente intervenção do Estado para solucionar os problemas de desnutrição, pobreza e doença, tem acelerado a introdução de práticas, sistemas e produtos modernos (como os alimentos industrializados), mediante a implementação de políticas públicas de saúde e educação, de assistência social, de combate à fome e à pobreza, além de benefícios e salários do Governo.

A padronização e monopolização da produção e distribuição dos alimentos enfraquece seus laços históricos com o território, os conhecimentos, as práticas e as cosmologias locais, fragilizando e desqualificando os sistemas alimentares tradicionais (agricultura, caça, pesca, colheita, processamento e consumo dos alimentos, seu uso ritual e cotidiano).

Diante desse debate, a proposta é que "nos engajemos em um verdadeiro diálogo com as ideias indígenas, para debater preocupações comuns" (Overing, 1999), tais como as questões relativas à soberania dos povos tradicionais e à tutela da sócio-biodiversidade.

Em um nível geral, a proposta do encontro é ampliar essas discussões, dentro e fora da universidade, e contribuir para pluralizar as posições do debate sobre as práticas alimentares, e as noções de comida, corpo/pessoa, educação e saúde. Acredita-se que as perspectivas nativas, alternativas em relação ao sistema dominante, constituam experiências preciosas para pensar, compreender e defender diferentes relações de produção, consumo, digestão e significação da comida.

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